Versão para impressãoSend to friend
Palestinian Grassroots Anti-apartheid Wall Campaign

Israel vota isolamento internacional

As eleições do dia 17 de Março confirmou a vitória e a continuidade do partido Likud em Israel. Agora caberá ao atual premiê Benjamin Netanyahu formar um governo de coalisão, cujas as alianças deverá ter a maioria no parlamento. Não esqueçamos as mãos sujas de sangue do atual governo de direita, sendo estes os principais responsáveis pelo massacre de Julho/Agosto passado que provocou mais do 2200 mortes entre a população Palestina em Gaza. O segundo maior número de cadeiras no parlamento israelense ficou com a aliança eleitoral de oposição 'União Sionista' liderada por Yitzak Herzog e Tzipi Livni. Essa última foi uma das responsáveis pelo massacre a Gaza em 2008/9  em que mais de 1400 Palestinos foram assassinados.

As eleições foram marcadas - mais uma vez - pelo fato de que, à respeito das políticas em relação ao povo palestino, o eleitorado não houve escolha. Existe um consenso claro sobre a continuidade da ocupação, da anexação de Jerusalém e do cerco a Gaza. O único partido fora desse consenso foi a Lista Unida Árabe dos cidadãos palestinos de Israel, a qual virou o terceiro mais forte partido no parlamento mas que todos os outros partidos no parlamento acordam em excluir de qualquer poder político.

O resultado das eleições israelenses mantiveram as forças no poder que mais claramente expressaram as políticas israelenses de racismo, apartheid e agressão militar. A complacência e cumplicidade internacional com os crimes de guerra de Israel e as violações dos direitos humanos dos palestinos têm dado um aporte fundamental para o resultado.

O fato de que a sociedade israelense votou em sua maioria para os partidos que promoveram mais abertamente políticas racistas e genocidas contra o povo palestino e que espalham ódio e medo frente a qualquer possível influência política dos cidadãos palestinos de Israel, não deve ser vista como uma surpresa. Quase sete décadas de doutrinação, que começa ao nível dos currículos escolares, continua durante o serviço militar obrigatório e é apoiado pela grande mídia, combinado com a impunidade concedido a Israel, quase inevitavelmente tem que levar a tal resultado. Enquanto instituições israelenses, corporações e seus representantes continuam recebendo contratos, convites e prêmios em vez de ser responsabilizados pela sua contribuição ao sistema de apartheid israelense, esse padrão não vai mudar.

A vitória do Likud, liderado por Benyamin Netanyahu, se resume essencialmente numa vitória de uma opção política externa sobre outra. A União Sionista de Tzipi Livni e Isaac Herzog defendeu mais "negociações" e mais "processo de paz", enquanto continuam as violações do direito internacional e dos direitos humanos contra o povo palestino. Agora o bloco de direita em torno Netanyahu vai continuar as mesmas políticas declarando-as ação 'unilateral' e provocando o confronto direto com a comunidade internacional.

Os verdadeiros perdedores nesta eleição são o presidente dos EUA Barak Obama e a Autoridade Nacional Palestina. Ambos tiveram grandes interesses no lançamento de uma nova rodada de negociações – por quanto fúteis. A Casa Branca estava ansiosa para garantir um governo israelense que estivesse mais alinhado com sua retórica e quis vingança pela humilhação que receberam no Congresso dos EUA, onde há poucas semanas atrás Netanyahu atacou a política externa do governo Obama. A Autoridade Nacional Palestina, nascida como uma ferramenta para levar o povo palestino em direção a um estado independente, de fato perde sua razão de ser em face de um governo israelense que já durante a campanha eleitoral prometeu que nenhum Estado palestino será possível.

“O impasse político criado pelo resultado das eleições israelenses só pode ser superado por uma mudança radical na diplomacia global frente a Israel. Se a comunidade internacional não quer perder os últimos resquícios de credibilidade, eles têm que optar agora por sanções, começando com um embargo militar imediato e um fim aos acordos de livre comércio com Israel.

x

Select (Ctrl+A) and Copy (Ctrl+C)