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Palestinian Grassroots Anti-apartheid Wall Campaign

Israel transforma a Palestina num campo minado

No dia 2 de janeiro, ativistas palestinos descobriram que os campos de Khirbet Twael estavam cobertos com diversos tipos de explosivos. A descoberta aconteceu quando eles estavam pondo em prática um projeto de recuperação das terras pertencentes a inúmeras famílias dos vilarejos de Aqraba e Khirbet Twael. Eles estavam plantando oliveiras para impedir o confisco da terra e também como parte das atividades anuais que assinalam a criação do Jewish National Fund (JNF) [Fundo Nacional Judeu], promovidas pela campanha StopJNF.

 

No ano passado, Khirbet Twael sofreu oito incursões do exército israelense, cujo objetivo era realizar demolições. Entre outros alvos das demolições estavam a mesquita, a rede elétrica e a tubulação de água. Durante a última semana de 2014, o exército israelense anunciou que toda a área de Khirbet Twael seria usada para treinamento militar. Durante uma semana, as terras do vilarejo foram declaradas zona militar. Nesse período, os moradores de Khirbet Twael se viram no meio de uma batalha artificial, com tanques se movimentando dentro do perímetro residencial, fuzilaria à noite e o uso de todo tipo de munição. Os moradores de Khirbet Twael consideram que o fato de seus campos estarem cobertos de artefatos explosivos e munição não detonada é uma das consequências de uma semana da guerra total que o exército israelense encenou em seu vilarejo.

 

Quando entraram em suas terras, os agricultores inicialmente encontraram fios metálicos. Seguindo o caminho dos fios, eles perceberam que todos estavam ligados a artefatos que, conforme se descobriu depois, eram detonadores M60 ou M81. Esses artefatos haviam sido distribuídos num intervalo de 300 metros um do outro, ao longo de uma linha de três a quatro quilômetros; além disso, estavam ligados entre si e cada um deles estava conectado a canos espalhados pelos campos. Após uma investigação, moradores contaram terem visto alguns desses canos explodirem. A verdadeira natureza do sistema de explosivos e a lógica por trás dele ainda são estão claras para os moradores. Alguns sugerem que os canos deveriam fazer o papel de “túneis”, e que o exército israelense havia testado em seus campos novos métodos contra a população de Gaza. Os detonadores M81 são produzidos pela MAST Technology, com sede em Kansas, EUA. Pode haver outras empresas que também produzem artefatos semelhantes.

 

Ativistas também encontraram obuses de morteiro não detonados, parecidos com o obus de morteiro SOLTAM de 81 mm fabricado pela Elbit Systems, espalhados pela área.

 

Outros artefatos militares, ou partes deles, que estão espalhados pelos campos, ainda continuam sem identificação alguma.

 

Desde então, uma parte desse sistema interligado de explosivos e canos foi retirada, enquanto outra parte continua no terreno, junto com os obuses de morteiro e os artefatos militares não identificados. 

 

Jamal Juma’, coordenador da Campanha Stop the Wall, comenta:

 

“O fato de o exército israelense usar a seu bel prazer terras palestinas para testar seus explosivos e para fazer outros testes -- transformando-as, de fato, em campos minados --, é inaceitável. Quer Israel use minas antipessoais propriamente ditas ou cubra os campos com explosivos de todo tipo, trata-se de um instrumento de expulsão e de limpeza étnica contra nosso povo que é parte integrante do sistema de apartheid, colonialismo e ocupação. Quem ousa dar um passo além dos limites abrangentes impostos por Israel aos nossos movimentos, arrisca, literalmente, a vida".

 

"Embora exista um consenso internacional acerca da proibição de minas terrestres, não admira que Israel, uma vez mais, como Estado violento que é, se recuse a assinar o Tratado de Proibição de Minas Terrestres”.

 

 

 

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